QUEM SOU EU?

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RJ, Rio de Janeiro, Brazil
Mulher das artes, não de peraltices, mas da contemplação ao belo. Atrevo-me a cantar sempre que posso e tenho feito isso por mais de uma década, escrevo antes mesmo de pronunciar a primeira palavra, pois minha mente já riscava um texto completo. Procuro dividir minhas descobertas, meus achados e minhas insanidades com quem quiser me ouvir. E pra quem não quiser, eu canto. ♪♫♪♫! Não sou o que penso nem mesmo sei quem sou, mas saber que existo do jeito que pareço ser já é um passo em minha direção. LUCY LEON 03/ 2009

quarta-feira, 25 de março de 2009

“É Sangue na Veia é Candeia”

O espetáculo É Sangue Na Veia É Candeia aborda a vida e a obra de um dos nomes mais relevantes da velha guarda da Portela, escola de samba tradicional do subúrbio do Rio, Antonio Candeia Filho (1935 - 1978). O musical, dividido em dois momentos marcantes da vida do compositor, sintetiza sua vida com muito humor, música, comoção e alegria, reafirmando o casamento perfeito entre texto e direção que, juntos, levam o espectador ao clima do bom e velho subúrbio carioca.

A peça traz duas versões do artista Candeia, uma pela ótica do músico e a outra pela ótica dos amigos. O homem, o policial, o músico, o negro e suas convicções, são permeados pelo ódio, amor, vingança, lealdade e tragédia, compondo assim, sua trajetória. A facilidade de compor canções, seu amor pela Escola, sua paixão por Leonilda (mulher de Candeia e esteio na saúde e na doença), tudo isso lhe rendeu respeito e admiração.

Numa singela homenagem pelo 30º aniversário de sua morte, a peça se destaca por não pretender beber na fonte da Broadway e não importar um modelo de musical que em nada traduziria o povo brasileiro. O espetáculo tem sua força justamente na brasilidade da encenação descontraída do diretor André Paes Leme. Lá, o público é convidado a participar das rodas de samba que aconteciam no quintal da casa de Candeia (cenário básico, composto por mesas de botequim onde fica a platéia, os músicos dispostos ao fundo do palco e os atores circulam entre as mesas), com direito a uma pinga servida na entrada pelos atores e, com muita descontração, é inserido no mundo do sambista, homem de princípios sólidos que lutava pela valorização da cultura afro-brasileira.

É importante destacar que o homenageado é trazido a público como um ser mortal e crível, sem exaltação exacerbada ou polimentos. Candeia é revisto como homem e artista numa versão tangível e ao mesmo tempo encantadora, que ganha um reforço de peso na interpretação do ator Jorge Maya. Há também um elenco bem ajustado de ritmistas e cantores que relembram antigos sucessos do artista e de personalidades que marcaram presença na sua história como Clara Nunes e Elza Soares.

Considerando a diversidade de temas encenados nos poucos teatros brasileiros, em especial no Rio de Janeiro, pode-se dizer que este, deverá ser lembrado por rasgar de vez com preceitos silenciosos e hipócritas da classe artística, que se rende a um mercado segregador e elitista. Na contramão, Candeia faz descer goela abaixo um elenco todo composto de atores negros. Uma ousadia que, certamente, faria com que os precursores do teatro brasileiro se revirassem em seus túmulos e incrédulos, se rendessem ao talento inegável desta nova geração.

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