QUEM SOU EU?

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RJ, Rio de Janeiro, Brazil
Mulher das artes, não de peraltices, mas da contemplação ao belo. Atrevo-me a cantar sempre que posso e tenho feito isso por mais de uma década, escrevo antes mesmo de pronunciar a primeira palavra, pois minha mente já riscava um texto completo. Procuro dividir minhas descobertas, meus achados e minhas insanidades com quem quiser me ouvir. E pra quem não quiser, eu canto. ♪♫♪♫! Não sou o que penso nem mesmo sei quem sou, mas saber que existo do jeito que pareço ser já é um passo em minha direção. LUCY LEON 03/ 2009

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A DROGA DA RAZÃO

Nos últimos anos tenho refletido muito sobre este assunto, a Droga da Razão, o quê é isso? Bem, conheço algumas pessoas que passaram a vida toda remoendo suas razões. Essas pessoas se prenderam a fatos que marcaram suas vidas e que, em seu julgamento, justificam suas mágoas, rancores, dores, etc. Muitas vezes esses sentimentos dolorosos se transformam em doenças nessas pessoas, pois as dores não foram dissolvidas, não foram perdoadas. Penso que o perdão é incompreendido por elas. O que é o perdão se não a liberação desses fantasmas, dessas dores!

As pessoas nos magoam porque delas partem juízos e críticas inesperadas, não previstas. Não perdoamos o julgamento, pois não creditamos ao outro esse direito, apenas o de nos aplaudir, isso sim, isso pode. Não agüentamos ouvir de alguém uma impressão a nosso respeito que seja diferente daquela imagem que criamos de nós mesmos. E ainda que o outro esteja definitivamente equivocado a nosso respeito, ainda assim, somos responsáveis também por esse equívoco, pelo menos em parte, salvo algumas situações e pessoas é claro!

O que importa dizer é que nos prendemos demais as nossas razões e com muita freqüência colocamos a razão acima de tudo e de todos. Damos mais crédito as nossas convicções do que às relações que construímos com os outros, mas no fundo, estamos nos prendendo ao nosso orgulho, a nossa imagem, e isso deve ser repensado, pois talvez estejamos nos desfazendo dos outros muito facilmente.

Já presenciei situações em que irmãos se afastaram por julgarem que suas convicções são incontestáveis e por amor a elas, a essas convicções, esses irmãos se distanciaram e se perderam. Já vi filhos julgarem seus pais por acreditarem que eles erraram ao longo da vida, julgaram-nos e crucificaram-nos impiedosamente, pois aos seus pais não estava reservado o direito de errar apenas de perdoar os erros dos filhos, irônico não? Mas, é assim que agimos sempre. Amigos que não se olham mais como antes pois o vazinho está rachado e todas as coisas que aproximaram esses amigos são mínimas perto da tal razão.

Não quero com isso pregar o perdão genuíno, quem sou eu pra tal proeza? Ainda não atingimos essa abnegação! O que pretendo é colocar na mesa uma questão delicada que é a do perdão a nós mesmos. Será que ver as coisas pelo ponto de vista do outro não nos ajudaria? Será que preferimos sentir que fomos injustiçados pra que, na verdade, este sentimento mascare a culpa de termos errado? Ouvi hoje uma frase interessante: "O ponto de vista depende da vista de cada ponto".

Um comentário:

Pedro Rocha disse...

Gostei do texto!
A razão é mesmo uma droga.